
Sendo a decantação um dos processos de separação de misturas heterogêneas do tipo líquido-sólidas, que consiste em deixar a mistura descansar para que o material sólido deposite-se no fundo do recipiente assim identifico o primeiro semestre: uma decantação dos ânimos.
Ao decorrer das aulas o que antes era novidade virou rotineiro mas a paixão pelo curso, que tanto ressaltei em todas as vezes em que precisei apresentar-me, foi crescendo. A experiência adquirida com os trabalhos foi dando mais tranquilidade e mais confiança, lembro-me do primeiro seminário no módulo de Conversas sobre Saúde e Doença, onde meu grupo falava sobre o surgimento da quarentena e medidas de fiscalizações sanitárias necessárias devido epidemia da peste negra, estava tão nervosa que troquei uma palavra do verso que estava recitando apenas por olhar um instante para a professora. E foi essa tranquilidade, essa confiança que fizeram os ânimos acalmarem-se de vez.
Falei em minha primeira postagem sobre o sentimento de algo grandioso iniciando-se e de estar certa em afirmar isto, agora posso transmitir experiências que fazem-me acreditar nisso.Em nosso módulo de Cultura do Cuidado e o Cuidado na Cultura, tivemos duas saídas de campo: Espaço da Alma, no Hospital de Clínicas, e HPS. A visita ao Espaço da alma foi enriquecedora, através das conversas com Marta, Jane, Karine , aprendemos como funciona na prática o encontro dos métodos biomédicos com alternativos de maneira harmônica. Os exemplos dos garotos que após a passagem do reiki sentiram-se melhores ou da senhora que reclamava de dores abdominais e bastou um chá de camomila para sentir-se bem, mostram que a implantação dessas práticas no ambiente hospitalar trariam consigo uma melhora no bem-estar dos pacientes. A enfermeira, que nas horas vagas é massagista (infelizmente não consegui gravar seu nome) também trouxe para nós como profissionais da saúde dedicam-se tanto ao trabalho que encontrar horários para si torna-se uma tarefa árdua, adiam as suas dores, emocionais ou físicas, em nome do trabalho. Karine trouxe o contato que teve com um povo extremamente pobre e desamparado na África, como teve que lidar com a cultura local, onde as roupas íntimas femininas eram postas a secar sob cobertas por motivos religiosos e onde o consumo de água era evitado pela crença de que esta não iria sair do corpo. Karine também trouxe a experiência que teve aplicando acupuntura no ambiente hospitalar, para alivio de dores e imobilização de paciente. Neste ambiente, a enfermeira Marta também falou sobre o determinado espaço que é aberto para discussão entre representantes de diversas religiões sobre como cada uma enxerga a saúde e a doença, com o objetivo de entender cada visão e poder atende-las de melhor maneira através deste entendimento.

Na visita ao HPS conhecemos os ambientes que estão em obra, ouvimos sobre a experiência como um hospital traumatologista em como lidar com pacientes tetraplégicos, no preparo emocional da família e do paciente com esta nova condição tão delicada. Conhecemos a traumatologia infantil, uma das melhores do estado, soubemos do preparo que os profissionais têm ao filtrar o que foi um acidente e o que pode ter sido uma agressão vinda da família.
Mas o que essas experiências contribuem para o ser sanitarista? Tudo. Pois devemos respeitar e integrar as diferentes práticas de cuidado à saúde em busca do melhor resultado para determinado coletivo, devemos ter a tal da alteridade, que discutimos em fórum, o reconhecimento do outro. Os ânimos estão repousados no fundo do recipiente que encontra-se cheio de encanto ao curso.
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