sexta-feira, 19 de junho de 2015

O que quis dizer com Curador ferido Sanitarista

 Vimos no módulo de Conversas Sobre Saúde e Doença o que é o curador ferido, uma pessoa que possui a habilidade de cura porém não consegue curar-se. Costuma ter feridas na pele, órgão de comunicação com o externoresponsável pela proteção de nosso organismo, essas feridas  requerem cuidados contínuos fazendo-a compreender e ajudar outros em suas doenças, apesar disso não torna-se esnobe, profissionais da saúde e da área de aconselhamento também entram dentro do conceito. "As feridas do curador lembram-lhe de sua humanidade, levando-o a cuidar sua vida pessoal, familiar e social. Suas feridas somente serão problemáticas se dissociadas da sua relação consigo mesmo.", frase retirada do slide passado em aula. Um exemplo de curador ferido é Quíron, detentor de conhecimento de cura que nada pôde fazer para si quando Hércules atingiu-lhe uma flecha embebida no sangue da Hidra. Como era imortal, após ser atingido teve que aguentar as dor terrível causada pela flechada todos os dias, nada que aplicasse na ferida era capaz de amenizar seu tormento, para livrar-se dele negociou com Zeus sua imortalidade em troca do perdão de Prometeu, condenado à passar a eternidade tendo o fígado comido por corvos. Quando Quíron morreu, subiu aos céus dando origem à  constelação de sagitário.
  O que aconteceu foi uma identificação, em todas minhas apresentações deixei muito claro como tenho muito empatia pelas pessoas e por isso sabia que entraria em algum curso da área da saúde, mas a identificação foi um pouco mais além. Possuo determatite atópica, uma doença incurável que causa do ressecamento e coceira da pele, não é difícil ver-me dando uma coçadinha de leve nos braços quando muito secos ou já muito machucados, fatores emocionais agravam os sintomas. Outro fato que fez com que me identificasse foi o meu mapa astral, sou fã de astrologia, Quíron transformou-se na constelação de sagitário após sua morte, na astrologia seu planeta regente é Júpiter onde tenho sagitário.
  Então essas pequenas coisas levaram-me a pensar que eu estou no processo de formação para tornar-me sanitarista, alguém que dará assistência às pessoas mesmo não podendo curar por inteiro e que a ferida do sanitarista é o sistema de saúde que não alcança todos cidadãos. O nome deste portifolio deve-se a esse pequeno devaneio inspirado nas aulas, nos astros e na minha crença de que achei o meu caminho.
   

  
Ninguém é obrigado a entender.
  

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Review interno


O Gato Preto, a cadeira de rodas e a guria da saúde coletiva

No início das aulas procurei não expor muito minha personalidade, sempre ouvi muito da minha mãe que muitas vezes não se vê o colega no próximo semestre e se vê estão em turmas diferentes, mas ao ver como a Saúde Coletiva possui uma certa marca de seguir com uma turma única resolvi que ser tão reservada não tinha mais motivo. Passei a sentar junto com os colegas em vez de distante e até a passar o intervalo com eles em vez de ficar na sala lendo, conheci mais sobre os colegas e deixei-me conhecer por eles.
  Algo que todos passaram a ter conhecimento em pouco tempo foi a minha paixão por gatos, tenho oito, sempre que fico triste ou estou precisando de apoio procuro meus gatos para abraçar, santas criaturas fofas capazes de colorir os dias cinzas! Pretinho é um que sabe a hora em que saio para a aula e começa a miar atrás de mim e quando retorno faz algazarra. Tudo bem, eu admito ter uma tendência a falar muito mais dos outros do que de mim, não acho interessante falar que sou desse jeito e ajo dessa forma, mas agora faz-se necessário pois já estamos todos íntimos devido ao tempo de convívio, quem sabe oficializar? Falar o que realmente acontece aqui dentro?
  O primeiro semestre em Saúde Coletiva tornou-me uma pessoa muito mais atenta às pessoas ao meu redor, um novo olhar foi revelado sobre relacionamentos, medicalização, cuidados com pessoas idosas, críticas ao governo, saúde e doença. Tornei-me muito mais questionadora, inquieta e descontrolada, não são poucas as vezes em que penso que não irei dar conta dos prazos ou corresponder a qualidade e assim acabo tendo crises de enxaqueca e coçando muito meus braços. Até nesses momentos de aflição física começo a refletir, "estou coçando por que estou nervosa ou por que está coçando?", "estou sendo uma daquelas pessoas que abrem mão da saúde por algum compromisso?". Sempre ouvi que eu superestimava a faculdade e talvez pudesse frustrar-me, mas não acredito que o que estou passado agora seja devido a isso, mas sim por ser algo diferente de tudo que havia participado antes.  
  Tenho certeza que meus colegas conseguem ver isso em mim pois alguns já perguntam se estou desanimando do curou ou pensando em desistir, costumo ser a pessoa que no grupo do whatsap avisa das tarefas que estão com prazos curtos manifestando uma vontade súbita de sumir. Mas para minha alegria meus colegas respondem com um pequeno espanto e já começam a fazer piada com o meu desanimo, fazendo do meu dia cinza um pouco mais feliz, eu disse que sou extremante emotiva e o fato de quase chorar lembrando desses momentos comprova. Se juntasse todos os momentos em que chorei nesse semestre era possível fazer um vídeo de três minutos. Além da empatia já narrada nas muitas das vezes que precisei apresentar-me, sou chata em relação a prazos, sempre tento ajudar os outros pois esta é a maneira mais rápida de mudar o mundo: ajudando o próximo, do micro transporta-se para o macro. 
  Algo que tocou muito fundo durante o semestre foi a morte do meu pai, em novembro de 2013 ele sentiu um mal estar e encaminhou-se para o "postinho", tendo sua pressão conferida foi levado por uma ambulância até o  hospital mais próximo. Durante o trajeto ele sofreu uma parada cardíaca e quando chegou ao hospital precisou ser entubado pois um pulmão já havia morrido. Ok, ok, o que é importante ressaltar nessa trágica história é que passei a olhar diferente até mesmo para ela, em uma aula com a Prof. Lisiane discutimos sobre  planejamento, reorganização de atendimento e acolhimento nas centrais de atendimento, hoje enxergo que se não fosse a prática de acolhimento dos profissionais da central de atendimento onde meu pai buscou assistência, ele poderia ter tido um destino muito pior, pois aquele era o único lugar que ele podia contar na cidade onde residia, o hospital que transferiram-lhe era em outra cidade, que não poderia chegar lá a tempo de ter a parada cardíaca. Sabendo disso hoje sinto uma eterna gratidão à pratica do acolhimento e uma tristeza inquietante por aqueles que não tiveram a mesma sorte que meu pai. Isso incetiva-me mais a seguir no curso, a fase de adaptação é sempre difícil, mas eu realmente acredito que me achei dentro da Saúde Coletiva. Almejo buscar soluções para os problemas da sociedade e soluciona-los, transformar saúde acessível a todos. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Doutorzinhos!

Bom humor contagiante até na hora da foto.
 Tivemos o prazer de conhecer Mauricio Bagarollo, fundador do projeto Doutorzinhos. Mesmo salientando que esperava se apresentar apenas para duas pessoas, sua fala foi emocionante e inspiradora, contou com bastante humor o caminho que precisou percorrer para tornar uma pequena iniciativa, porém nobre, em um projeto que hoje atende as seguinte instituições: Hospital São Lucas da PUCRS, Hospital da Criança Santo Antônio, Hospital Santa Rita, Hospital de Pronto Socorro - HPS, Hospital de Clínicas nas áreas de Transplantes e Pediatria e Instituto do Câncer Infantil, Kinder.
O alcance dos Doutorzinhos enorme e incentivador! 

  Com o vídeo que nos foi mostrado podemos ver a felicidade das crianças ao brincar com os Doutorzinhos e a naturalidade que estes o faziam, Maurício falou de um episódio em que foi chamado para  interagir com uma menina de um ano e meio na UTI, no dia seguinte foi informado pelo médico que a menina dormia apenas com morfina mas após sua saída, havia dormido tranquilamente sem nenhuma medicação, confesso que chorei de emoção.
  O objetivo do projeto não é apenas alegrar o dia das crianças que estão passando por um momento difícil como a internação, mas também alegrar todo o ambiente hospitalar, interagir com os enfermeiros, recepcionistas e médicos, criando um ambiente mais humanizado. O meio de ingresso dentro do projeto é seletivo após um curso de 60h onde aprendem como portarem-se e brincadeiras, a quantidade de aprovados pode variar de acordo com a quantas vagas o hospital abriu para intervenção. Senti muita vontade de participar do projeto, a proposta de mudar o clima do ambiente hospitalar é muito importante, os profissionais passam a comunicar-se melhor entre si e entre os pacientes, é um jeito de mudar a realidade da saúde. Acredito que o sanitarista é um dos profissionais que pode mudar o ambiente hospitalar estando dentro ou fora, desde o processo de gestão ao de humanização, eu diria, quando Maurício falou que este projeto tinha muito a ver com nosso curso estava certo, pois devemos ser aqueles que preocupam-se com a melhora da experiência de saúde e doença das pessoas.
  Em julho o projeto abre inscrições para novos voluntários!


A Saúde Coletiva transformando o indivídual



As diferentes concepções de saúde trouxeram para a minha vida uma nova perspectiva. Mesmo acreditando sobre o equilíbrio ser algo vital para a saúde eu agia de maneira descompensada, já consigo identificar as vezes em fiquei doente por agir desta maneira. Quando começavam os sintomas de gripe, consumia uma cartela inteira de analgésicos com chás (que também continham remédios dentro) para não ficar gripada. Mas quando a Professora Gabriela falou que o paracetamol 750ml já é uma super dosagem, eu passei cortar esses hábitos. Hoje quando sinto que posso estar começando a ficar gripada procuro manter-me bem aquecida e tomar chás naturas, como chá verde, chá de erva-doce, e procuro rever como andam minhas emoções se não ando nervosa demais a ponto de diminuir minha imunidade ou afetando a qualidade do meu sono.
                                                                                                     


 
 Na primeira vez em que neguei remédios, alegando não querer toma-los sem necessidade, minha mãe respondeu : lá vem tu com esses papos de saúde coletiva, de cuidar com o que toma, não me vai ficar doente! Eu ri mas instantes depois dei-me conta de como foi o curso que mudou essa visão e de como ele está preparando-me para aceitar pessoas de visões diferentes das minhas e saber como reagir diante destas. Acredito que ao longo do curso mais transformações irão ocorrer e espero poder corresponder ao que é proposto ao posto de sanitarista no que se refere as relações com os outros.